Saias do Marabaixo

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AS SAIAS DO MARABAIXO

O MARABAIXO, a maior expressão cultural do estado do AMAPÁ, é uma tradição dos povos miscigenados entre índios e negros que foram aculturados. Em cada região do norte e nordeste do país eles criaram um tipo de sincretismo, para que o cristianismo da igreja romana não apagasse totalmente suas raízes culturais. Assim as culturas ancestrais sobreviveram, preservando a identidade do nosso povo.
À semelhança da Festa do Divino e outros rituais que fazem parte do nosso folclore mais conhecido, o MARABAIXO mantém as comunidades em constante atividade cultural, com seus centros comunitários de convivência e festivais, que levam a Macapá as caravanas das diversas comunidades, promovendo concursos e distribuindo prêmios.
A autoestima dos povos depende do cultivo de tradições culturais, que lhe confere uma identidade, orienta seus objetivos para o aprimoramento de suas habilidades naturais e o aprendizado dos costumes ancestrais. Isso promove a convivência nas comunidades, fazendo com que as famílias cooperem entre si, foratalecendo, através da solidariedade, as populações fragilizadas pela discriminação e pelas desigualdades sociais.
As canções tem letras singelas e preservam palavras usadas pelos negros no tempo do império. O ritmo lembra o jongo e outros ritmos da mesma categoria de ancestralidade. São os ritmos que deram origem ao samba, lambada, axé e similares que fazem parte da nossa cultura mais popular. Vamos falar dessas modalidades de raiz com frequência por aqui. Digo porque:
 
Através desses centros culturais os governos têm desenvolvido políticas públicas aproveitando a mobilização das comunidades, que neles organizam-se e articulam as providências necessárias para atender suas necessidades. As crianças são mantidas ocupadas, crescem com um sentido de identidade bem orientado, em contato com os mais velhos, com quem aprendem a tocar as “caixas” do marabaixo, ou a manejar com graça a saia em harmonia com os passos da dança.
  
“Levanta a barra da saia, sámoça
Que saia de roda custa dinheiro, samoça
E dinheiro custa a ganhar!”
A riqueza destas trovas é algo extraordinário! Adequado para a convivência das famílias, o conteúdo é singelo e bem humorado. As moças sorridentes balançam com graça a saia e concorrem, nos festivais, ao cobiçado título de PRINCESA DO MARABAIXO. Coisa bem linda de se ver…
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