Mundo Bipolar

NEM VERMELHO NEM AZUL – O MUNDO BIPOLAR

Sinceramente pensei que com o fim da Guerra Fria e com a queda do Muro de Berlim estava extinto o Mundo Bipolar. Acreditei que era o fim do pensamento cindido, viciado em separar tudo em duas pastas: Certo ou Errado, Bom ou Ruim, etc. Nestas manifestações coletivas de quebra da barreira divisória, vislumbrei o início da integração dos tais “lados”, da unificação dos aspectos diversos numa só idéia.
Agora o vício de julgar iria ceder em favor do exercício de ponderar, refletir, considerar o terceiro, quarto, quinto elemento na formação de uma opinião. Iríamos tomar mais tempo digerindo as coisas, teríamos mais cuidado antes de chegar às conlcusões.
Já faz tanto tempo que o pluralismo partidário se estabeleceu nesta nação, fomos libertos daquele modelozinho da Guerra da Secessão, onde tiranos reacionários lutavam para manter seus latifúndios e seus escravos a salvo da ameaça da industrialização, que queria libertar as massas para transformá-las em operários para suas máquinas. Nossa versão dessa dualidade era ARENA X MBD, os vermelinhos contra os azuizinhos de sempre.
Acho que me enganei, ou então continuo com aquele problema do qual já me alertaram alguns amigos. O visionário perturba as pessoas à sua volta anunciando coisas para as quais ainda não se cumpriram etapas necessárias para facilitar a digestão, principalmente de conceitos que envolvem a coletividade. Numa ocasião, lá em Rio Branco, Acre, me disse um amigo: “O seu problema é que só uns cinco anos depois a gente vai entender o motivo de você ter falado determinada coisa, pra qual a gente nem tava preparado pra ouvir.” Ele tinha razão, e isso não era nada nem parecido com um elogio, motivo pelo qual lamentei o transtorno causado a ele, na época.

Eu votei no Lula desde a sua primeira candidatura, em 1980, e votei, votei todas as vezes, até que ele foi eleito, finalmente. Desde a primeira vez eu o vi na presidência, o Brasil precisava dele. Nossa nação precisava deslocar-se para o extremo oposto de seu comodismo, sua alienação absoluta, sua passividade, seu conformismo, sua falta de memória política. O Brasil precisava fazer um fast motion histórico para passar pelas etapas que o resto do mundo passava enquanto estávamos na letargia da ditadura, anestesiados e desconectados do movimento planetário, devido às manobras sempre usadas pelos sistemas totalitaristas, as de fechar as comunicações com o resto do mundo e censurar as liberdades de pensamento e expressão. Ficamos 30 anos congelados e tínhamos que queimar essas etapas, mas agora chega!

Não é necessário que tenhamos que nos afundar no totalitarismo socialista, porque não é necessário tomar veneno pra saber que mata! Podemos aprender com a experiência de outras nações, podemos olhar para a China e refletir se é isso que desejamos pra nós. Será que queremos ser todos iguaizinhos e viver como um exército de operários, para que alguns tenham poder e vida abastada?  Queremos ser massa de manobra para que alguns consigam alcançar seus objetivos à custa da miséria do povo do mesmo jeito que o Capitalismo faz? Eu sei que não quero isso pra mim.
Sei também que minhas preocupações são com as péssimas condições ambientais em que se encontra o planeta,  e também com o fato de que as políticas devem ser repensadas e reeditadas para adequar-se às necessidades de uma superpopulação, que não tem mais recursos naturais suficientes para manter uma qualidade de vida razoável no planeta. Sei também que o comportamento das espécies que convivem em espaços reduzidos apresentam mudanças drásticas de comportamento, desenvolvendo hostilidades e hábitos maníacos inexistentes em sua natureza. Essas mudanças de hábitos e comportamentos alterados começam a se manifestar cada vez mais frequetemente na espécie humana e o volume de transtornos de personalidade  já é epidêmico. São estas as minhas preocupações, por isso, nem vermelho da estrela do PT, nem azulzinho de tucano. Meu voto é verde! Por enquanto… Voto verde na cabocla nascida numa casa de seringueiros, em Rio Branco, Acre, lá na floresta, mesmo. Acompanhou a militância de Chico Mendes, ao lado de quem fundou a CUT do Acre. Para cursar a faculdade precisou morar de favor primeiro na igreja, depois na sede do PT, e foi cavando sua trilha com determinação de guerreira: Vereadora, deputada, lutou contra as sequelas por contaminação de metais pesados, que a contaminaram quando ainda vivia no seringal, na miséria de onde saiu, porque é Marina Silva. Ela chega onde quiser chegar, porque é Marina Silva, a presidente do meu Brasil.
Aproveitamos para divulgar a noite de autógrafos do livro de ALFREDO SIRKIS pela EDITORA NOVA FRONTEIRA que acontecerá no dia 03 de outubro de 2011, na Livraria Cultura do Shoppin Villa-Lobos, em São Paulo. O convite nos chegou por e-mail, pelo que agradecemos. Clicando no convite, vc terá acesso ao site sobre o livro, com trechos para dowload e também vídeos com a opinião dos formadores de opinião do nosso País sobre o livro O EFEITO MARINA.
Azul

AZUL – Tanto Sol V

Eu não podia deixar de postar TANTO SOL. Trata-se de uma série de sete poemetos, que foram surgindo na medida em que me aprofundava numa pesquisa sobre a LUZ. Fui remexer nas pesquisas de Einstein por curiosidade, e acabei passando dois anos e meio envolvida com essa obra séptulpa. A princípio fluiram logo os cinco primeiros poemas, sendo este aqui o quinto, o AZUL.

Quando escrevi o AZUL, travei, porque mergulhei profundamente na experiência que descrevo neste poema. Apenas uma ou duas pessoas tiveram o insight de que este poema descreve algo que eu vivi, de fato.
Lá pelo meio do processo alguém quis me encomendar um poema que julgava estar “faltando” no TANTO SOL, um poema para a cor ROSA, solicitação que precisei declinar devido ao fato de que rosa NÃO É UMA COR, é uma ilusão de ótica. Trata-se da inversão do verde, logo, o rosa não existe. Foi o que expliquei na tentativa de me justificar, pois TANTO SOL só teria sete poemas, um para cada uma das unidades da escala cromáticas. Não teve jeito, sei que causei uma decepção, porque essa coisa do rosa está relacionada com uma propensão à dissociação de certos aspectos da realidade, e lá fui eu de novo num looping que durou mais uns seis meses…
Estou escrevendo uma crônica com este título: ROSA É UMA COR QUE NÃO EXISTE. Assim, quando postar aqui o texto, vocês já sabem a gênese da crônica. Por enquanto fiquem com o AZUL. Este existe, e no poemeto digo o que entendo ser esta cor. No próximo poemeto da série TANTO SOL continuo contando esta saga de dois anos e meio, que ficou registrada em minha página no site literário BLOCOS ONLINE, através de minha querida amiga LEILA MICCOLIS .