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PARA CONSTRUIR BELO MONTE VÃO TER QUE NOS MATAR!


A resistência ao projeto que pretende transformar a Bacia do Xingú em um gigantesco complexo gerador de energia, há 23 anos chamado de KARARAÔ e agora entitulado BELO MONTE, comomera seus 23 anos de ativismo. XINGU+23, evento paralelo ao RIO+20, realizado em ALTAMIRA/PA, ocupou o canteiro de obras da barragem e cavou uma vala, por onde a água do rio vazou. Foram celebrando rituais sagrados no local, como também na CÚPULA DOS POVOS, evento paralelo ao evento “oficial” chamado RIO+20, realizado na cidade do Rio de Janeiro.


Todas estas manifestações tem fundamento na cultura e filosofia dos povos e nações da região do rio Xingú. Ocorre que estes costumes tem sido preservados e acrecidos de informação atualizada sobre os direitos que eles tem, como proprietários ou guardiões de um Ecosistema que contém, talvez, a maior reserva de recursos e riquezas do planeta. Eles tem consciência da dimensão exata de sua responsabilidade, e não pretendem abrir mão dela.

Este projeto, mais do que extrair energia elétrica do complexo hidrelétrico de 60 BARRAGENS programados para TODA A BACIA DO XINGÚ, pretende eliminar esses povos, exterminá-los. Eles não cedem, não fazem concessões, não se corrompem, não traem uns aos outros, não se vendem. Eles são um verdadeiro pesadelo, são o grande imprevisto dos mandatários de nossos “governantes”, que são apenas representantes daqueles que de fato pretendem apropriar-se de nossos mananciais. Eles não contavam que justamente esta cultura, celebrada e apresentada nas manifestações e atos de ativismo da resistência contra o projeto, é uma cultura de guereriros, com um código de ética e conduta que nada tem de aborígene.

Ao contrário… Faz com que sejam organizados para sobreviver dentro da floresta e fortes para vencer os obstáculos que ela apresenta. Usando os fundamentos de sua cultura eles são um conglomerado humano, organizados como formigas tornam-se gigantescos em sua unidade. Não se sujeitam a nenhuma autoridade que não sejam as suas lideranças, eles sabem exatamente contra quem e contra o que estão lutando, e porque. Não poderão mais dizimá-los aos poucos, de maneira sistemática como vem fazendo, desde que assassinaram CHICO MENDES, até a recente execução de NÍSIO GOMES, para que seus crimes não tenham muita repercussão, e se percam na passagem do tempo. Raoni não chorou em vão diante da impunidade dos genocidas e ecocidas que tem simplesmente assolado as nações, humilhado seus valores e  abalado seus fundamentos. Raoni não chorou em vão. Suas lágrimas misturaram-se às águas do Xingu e infiltraram-se em nosass veias, como um poderoso estimulante acelerador dos nossos neurônios. Despertamos e emergimos. Não nos entregaremos. Nós não esquecemos nossos heróis mortos. Nós não perdoamos. Nosso cacique chorou!

CÚPULA DOS POVOS – OS 99% EMERGEM DAS PROFUNDEZAS

Emergindo das Profundezas - e-ditora
A primeira vez que vi essa foto de RENATO SOARES não consegui tirar os olhos dela. Lembrei de nadar em igarapés cristalinos como este, lá nessa região de Goiás e Mato Grosso. Lembrei de estar em algumas aldeias, conviver um pouco com os donos de “nossas” terras, acompanhar sua luta de perto. Estive também com os Guaranis da aldeia de KRUKUTU em Parelheiros, São Paulo, em 2003. Fui chamada por funcionários da FUNAI na ocasião em que os nativos de Krukutu expulsaram a médica que fazia atendimento no posto de saúde da aldeia. Ela não poderia mais entrar na lá, sob ameaça de ser punida fisicamente em caso de desobediência à ordem do cacique. Então disseram que só deixariam entrar lá alguém que pudesse ajudar o PAGÉ a cuidar dos problemas de saúde da aldeia, alguém que fosse aprovado por ele. Os problemas eram graves, incluíam casos de alcoolismo e suicídios de jovens. Não pude ficar muito tempo lá, embora tenha sido aprovada pelo Pagé e obtido bons resultados com acupuntura e orientação alimentar. A FUNAI pagou meu conbustível apenas nas 2 primeiras semanas, depois fiquei tentando receber deles, quando me comunicaram a decisão deles de não mais me reembolsar. Após 2 meses não tive condições financeiras de dar continuidade ao projeto. Foram, talvez, os 2 meses mais sofridos da minha vida. Foi certamente a despedida mais dolorosa de todas as muitas despedidas que vivi. Sofri muito durante várias semanas depois disso, demorou pra curar a dor.

Este vídeo anuncia o despertar destes povos, que começa a buscar por organização, pois tem algumas lideranças capacitadas para representá-los junto ao MINSTÉRIO PÚBLICO, nos fóruns e congressos de discussões dos assuntos que os afetam, QUANDO LHES É DADO VOZ E DIREITO DE REPRESENTAÇÃO. Existe um movimento de organização mundial das nações indígenas, um conselho mundial intertribal, mas suas lideranças mantém um certo revesamento entre si, por questões de segurança. No momento, há uma concentração em torno do líder brasileiro, o Cacique MARCOS TERENA, por ocasião do RIO + 20, evento que foi oficialmente destituido da condição de SER REALMENTE REPRESENTATIVO dos interesses dos povos em questão, e de não ter idoneidade para facilitar as discussões ou pautar assuntos gravíssimos, assuntos estes que vão muito, mas muito mais além de questões ambientais. Queremos discutir genocídio em massa, invasão e desapropriação armada de propriedade particular, abandono de incapazes, queremos falar sério, estamos cançados do teatro de sempre.

MARCOS TERENA - Cúpula dos Povos

MARCOS TERENA, que assinou a CARTA DA TERRA há 20 anos, no RIO-92, onde foi regsitrada a DECLARAÇÂO DA ALDEIA KARI-OCA,  destruida por um INCÊNDIO CRIMINOSO na ocasião do RIO-92, o que sensibilizou as Nações Indígenas de todo o mundo. Tratava-se de UM TEMPLO construido para abrigar a CONFERÊNCIA MUNDIAL DOS POVOS INDÍGENAS, um encontro paralelo ao Rio-92 entre Nações Indígenas de todo o mundo, construida a partir da utilização dos  segredos de engenharia e arquitetura das florestas. A KARI-OCA original foi construida na em JACAREPAGUÁ, através do compartilhamento de conhecimentos e cooperação entre 7 povos do Alto Xingu/MT e o povo TUKANO do Amazonas, tornando-se símbolo da resistência dos povos à tirania e ao genocídio de nosso povo.

No último dia 07 de maio, de Belém/PA, as lideranças indígenas declararam oficilamente que o evento paralelo ao RIO +20 considerado OFICIAL, onde as verdadeiras discussões dos assuntos pautados PELOS POVOS INDÍGENAS e por eles de fato discutidos será a CÚPULA DOS POVOS, que espera reunir 30 mil pessoas no ATERRO DO FLAMENGO, no Rio de Janeiro, até o fim do encontro, a realizar-se de 15 a 23 de junho. Veja os detalhes do evento no SITE OFICIAL da  CÚPULA DOS POVOS . No evento “oficial” do Rio+20 a “reedição” da aldeia KARIO-OCA está sendo montada, para que a conversação intertribal de todas as Nações Indígenas do mundo possa FINALMENTE acontecer. em Jacarepaguá, no mesmo ocal onde a original foi destruida, estarão reunidos cerca de MIL indígenas de aldeias de todas as nações do mundo, tais como Nigéria, Japão e Canadá, além do Brasil. Marcos Terena está no comando deste projeto, o que garante sua validade, ainda que esteja na agenda do evento “oficial”, o Rio+20. Seria um pedido de descupas? Não aceitamos.

KARI-OCA-Rio+20