Cacique Geusivan Lima

EXECUÇÃO DE CACIQUE POTIGUARA – 2 tiros na cabeça

Há dois dias atrás, um dos Caciques desta aldeia, Geusivan Silva de Lima, 30 anos, foi baleado com 2 tiros na cabeça, quando jogava dominó numa praça da aldeia, no município de MARCAÇÃO, litoral da Paraíba. Ao contrário do que se lê nos noticiários, o outro homem que morreu no local, Claudemir Ferreira da Silva, não era índio, mas foi apontado como “segurança” de Geusivan e foi morto ao tentar impedir a execução do Cacique. Nesta foto ele exibe o ferimento resultante de um outro atentado que sofreu em março/2012, foto que foi capa de nossa página no FACEBOOK em abril próximo passado. A expressão triste de seus olhos ficou marcada em nossa memória, semblante de um jovem sem perspectiva de uma vida normal, que lutava pelo direito de viver e usufruir daquilo que pertence, por direito, a ele e a seu povo.

A USINA JAPUNGÚ manipula moradores da região com a ambição de tornarem-se fornecedores de matéria prima para a produção de biodiesel e outros derivados da cana-de-açúcar ali produzidos, além de promover divisão e conflitos entre as lideranças das muitas aldeias Potiguaras dos municípios de  Rio Tinto, Marcação, Mataracá, Jacaraú e Baia da Traição, no litoral da Paraíba: Aldeias de JARAGUÁ, BREJINHO, TRAMATAIA, CAMURUPIM e COQUEIRINHO. Os Potiguaras são proprietários de aproximadamente 20 mil hectares já demarcados naquela região, o que corresponde a uma área do tamanho de aproximadamente 20 mil campos de futebol.

Ainda há mais terra que encontra-se sob disputa judicial, mas o território invadido pela usina, onde foi estabelecida uma tal FAZENDA RAFAELA, já estava demarcado. Esta área foi retomada pelos Potiguaras em março de 2007, e foi destinada à agricultura de subsistência das aldeias, com o cultivo de feijão, inhame, milho e outros similares. Existem OUTRAS USINAS CANAVIEIRAS instaladas na região, através de incentivos do PROGRAMA PRÓALCOOL, que desde 1970 apropriam-se das terras Potiguaras para cultivar cana-de-açúcar. Houve outra retomada destas terras invadidas, anterior a esta, em agosto de 2003. Os conflitos de sempre agravaram-se ultimamente, com atropleamentos por carros e motos, até que recentemente tornaram-se invasões armadas, com tiroteios e execuções sumárias. Ninguém faz isso assim, de forma ostensiva, sem alguma garantia de impunidade.  As denuncias e boletins de ocorrência são feitas, e não se pode entender porque a Polícia Federal tem tanta dificuldade para localizar armas que deixam seus cartuchos espalhados pelas ruas para fácil perícia, e também sendo as ações e ameaças executadas por pessoas conhecidas, que são denunciadas pelas vítimas.

Ninguém é preso, e a única informação sobre as investigações que consegui encontrar foi uma notícia no Portal Correio UOL, cuja página foi removida, restando apenas seu cache com o texto, pelo qual concluímos que as autoridades dão às investigações a conotação de “BRIGA INTERNA ENTRE AS LIDERANÇAS INDÍGENAS”. Desta forma conduziram as investigações do atentado ao Cacique ANÍBAL CORDEIRO, ocorrido em março/2009.

Recentemente as lideranças POTIGUARA foram à Assembléia Legislativa da Paraíba (ALPB) denunciar que 32 CACIQUES desta etnia estão AMEAÇADOS DE MORTE por pistoleiros contratados pelos usineiros, que estão determinados a levar a adiante o PROGRAMA PRÓ-ÁLCOOL do GOVERNO FEDERAL. As autoridades não tomam nenhuma rovidência, e as lideranças POTIGUARAS continuam sendo EXTERMINADAS.

547878_201460966644081_2143068716_n

PARA CONSTRUIR BELO MONTE VÃO TER QUE NOS MATAR!


A resistência ao projeto que pretende transformar a Bacia do Xingú em um gigantesco complexo gerador de energia, há 23 anos chamado de KARARAÔ e agora entitulado BELO MONTE, comomera seus 23 anos de ativismo. XINGU+23, evento paralelo ao RIO+20, realizado em ALTAMIRA/PA, ocupou o canteiro de obras da barragem e cavou uma vala, por onde a água do rio vazou. Foram celebrando rituais sagrados no local, como também na CÚPULA DOS POVOS, evento paralelo ao evento “oficial” chamado RIO+20, realizado na cidade do Rio de Janeiro.


Todas estas manifestações tem fundamento na cultura e filosofia dos povos e nações da região do rio Xingú. Ocorre que estes costumes tem sido preservados e acrecidos de informação atualizada sobre os direitos que eles tem, como proprietários ou guardiões de um Ecosistema que contém, talvez, a maior reserva de recursos e riquezas do planeta. Eles tem consciência da dimensão exata de sua responsabilidade, e não pretendem abrir mão dela.

Este projeto, mais do que extrair energia elétrica do complexo hidrelétrico de 60 BARRAGENS programados para TODA A BACIA DO XINGÚ, pretende eliminar esses povos, exterminá-los. Eles não cedem, não fazem concessões, não se corrompem, não traem uns aos outros, não se vendem. Eles são um verdadeiro pesadelo, são o grande imprevisto dos mandatários de nossos “governantes”, que são apenas representantes daqueles que de fato pretendem apropriar-se de nossos mananciais. Eles não contavam que justamente esta cultura, celebrada e apresentada nas manifestações e atos de ativismo da resistência contra o projeto, é uma cultura de guereriros, com um código de ética e conduta que nada tem de aborígene.

Ao contrário… Faz com que sejam organizados para sobreviver dentro da floresta e fortes para vencer os obstáculos que ela apresenta. Usando os fundamentos de sua cultura eles são um conglomerado humano, organizados como formigas tornam-se gigantescos em sua unidade. Não se sujeitam a nenhuma autoridade que não sejam as suas lideranças, eles sabem exatamente contra quem e contra o que estão lutando, e porque. Não poderão mais dizimá-los aos poucos, de maneira sistemática como vem fazendo, desde que assassinaram CHICO MENDES, até a recente execução de NÍSIO GOMES, para que seus crimes não tenham muita repercussão, e se percam na passagem do tempo. Raoni não chorou em vão diante da impunidade dos genocidas e ecocidas que tem simplesmente assolado as nações, humilhado seus valores e  abalado seus fundamentos. Raoni não chorou em vão. Suas lágrimas misturaram-se às águas do Xingu e infiltraram-se em nosass veias, como um poderoso estimulante acelerador dos nossos neurônios. Despertamos e emergimos. Não nos entregaremos. Nós não esquecemos nossos heróis mortos. Nós não perdoamos. Nosso cacique chorou!