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Indígenas já praticam DEMOCRACIA DIRETA no Brasil


No dia 16 de abril, em clima de comemoração do “DIA DO ÍNDIO”, no pleno exercício da DEMOCRACIA DIRETA, as lideranças das Nações Indígenas do Brasil invadiram a plenária da Câmara dos Deputados, no Congresso Nacional, Esplanada dos Ministérios, Brasilia/DF. Havia ao menos 73 etnias representadas no grupo formado por mais de 700 indivíduos, vestidos de acordo com suas culturas, numa manifestação impressionante, fazendo soar seus maracás e suas vozes em uníssono.

Muitas questões além da IMPUGNAÇÃO da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 215, que visa transferir da FUNAI para o CONGRESSO NACIONAL as questões da DEMARCAÇÃO DAS TERRAS INDÍGENAS. Com essa MANOBRA POLÍTICA, a decisão sobre a demarcação destes territórios sairia do Poder Executivo e passaria ao Poder Legislativo, com o intuito de que estes processos SE ARRASTEM POR MAIS TEMPO AINDA do que já ocorre, viabilizando assim os abusos DO GOVERNO FEDERAL e sua impunidade.

O MINISTRO DA JUSTIÇA José Eduardo Cardozo já manifestou-se totalmente contra a transferência destas questões do Executivo para o Legislativo, portanto CONTRA A PEC 215 (leia mais detalhes neste link) , alegando que a FUNAI precisa ser fortalecida e capacitada para agilizar ainda mais os processos, e continuar em sua competência. Exatamente NESTE MESMO DIA, O GOVERNO DILMA ROUSSEFF SUSPENDEU A OPERAÇÃO TAPAJÓS, por ordem do TRF-1, em Brasília (TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 1ª REGIÃO), a pedidos do MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL. O Contingente da OP Tapajós ocupava, desde 25 de março próximo passado o TERRITÓRIO INDÍGENA DE MANDURUKU, local  onde o Governo Federal pretende implantar MAIS UMA USINA HIDRELÉTRICA DO COMPLEXO DO QUAL FAZ PARTE A USINA DE BELO MONTE. Esta ocupação ocorria através da mobilização de cerca de 250 integrantes da POLICIA FEDERAL, POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL, FORÇA NACIONAL DE SEGURANÇA PÚBLICA E FORÇAS ARMADAS.

Este vídeo é o registro de um ataque anterior, ocorrido em 7 de novembro de 2012, ao mesmo povo MANDURUKU, numa OUTRA OPERAÇÃO DE NOME ELDORADO. O nome da OP faz menção exatamente do LENDÁRIO TESOURO DO ELDORADO, que encontra-se DE FATO na VOLTA DO XINGU, alvo da EMPRESA MINERADORA BELOSUN (detalhes no link), de propriedade de EIKE BATISTA (detalhes no link). O complexo hidrelétrico é na verdade um pretexto para desocupar o território, usar o equipamento que seria para a construção das hidrelétricas para as prévias da mineração deste ouro. Acredita-se que seja este o MAIOR RESERVATÓRIO DE OURO do planeta, o lendário ELDORADO… que existe de fato. É na VOLTA DO XINGU, tema de nosso próximo post.

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PARA CONSTRUIR BELO MONTE VÃO TER QUE NOS MATAR!


A resistência ao projeto que pretende transformar a Bacia do Xingú em um gigantesco complexo gerador de energia, há 23 anos chamado de KARARAÔ e agora entitulado BELO MONTE, comomera seus 23 anos de ativismo. XINGU+23, evento paralelo ao RIO+20, realizado em ALTAMIRA/PA, ocupou o canteiro de obras da barragem e cavou uma vala, por onde a água do rio vazou. Foram celebrando rituais sagrados no local, como também na CÚPULA DOS POVOS, evento paralelo ao evento “oficial” chamado RIO+20, realizado na cidade do Rio de Janeiro.


Todas estas manifestações tem fundamento na cultura e filosofia dos povos e nações da região do rio Xingú. Ocorre que estes costumes tem sido preservados e acrecidos de informação atualizada sobre os direitos que eles tem, como proprietários ou guardiões de um Ecosistema que contém, talvez, a maior reserva de recursos e riquezas do planeta. Eles tem consciência da dimensão exata de sua responsabilidade, e não pretendem abrir mão dela.

Este projeto, mais do que extrair energia elétrica do complexo hidrelétrico de 60 BARRAGENS programados para TODA A BACIA DO XINGÚ, pretende eliminar esses povos, exterminá-los. Eles não cedem, não fazem concessões, não se corrompem, não traem uns aos outros, não se vendem. Eles são um verdadeiro pesadelo, são o grande imprevisto dos mandatários de nossos “governantes”, que são apenas representantes daqueles que de fato pretendem apropriar-se de nossos mananciais. Eles não contavam que justamente esta cultura, celebrada e apresentada nas manifestações e atos de ativismo da resistência contra o projeto, é uma cultura de guereriros, com um código de ética e conduta que nada tem de aborígene.

Ao contrário… Faz com que sejam organizados para sobreviver dentro da floresta e fortes para vencer os obstáculos que ela apresenta. Usando os fundamentos de sua cultura eles são um conglomerado humano, organizados como formigas tornam-se gigantescos em sua unidade. Não se sujeitam a nenhuma autoridade que não sejam as suas lideranças, eles sabem exatamente contra quem e contra o que estão lutando, e porque. Não poderão mais dizimá-los aos poucos, de maneira sistemática como vem fazendo, desde que assassinaram CHICO MENDES, até a recente execução de NÍSIO GOMES, para que seus crimes não tenham muita repercussão, e se percam na passagem do tempo. Raoni não chorou em vão diante da impunidade dos genocidas e ecocidas que tem simplesmente assolado as nações, humilhado seus valores e  abalado seus fundamentos. Raoni não chorou em vão. Suas lágrimas misturaram-se às águas do Xingu e infiltraram-se em nosass veias, como um poderoso estimulante acelerador dos nossos neurônios. Despertamos e emergimos. Não nos entregaremos. Nós não esquecemos nossos heróis mortos. Nós não perdoamos. Nosso cacique chorou!