Tuira

XINGU+23 anos de resistência contra BELO MONTE

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Não, não é de hoje! Xingu+23 comemora o Iº ENCONTRO DOS POVOS INDÍGENAS DO XINGU,  que aconteceu em Altamira, de 20 a 25 de fevereiro de 1989. Aconteceu lá muito mais do que isso.  A histórica atitude da índia Tuíra Kaiapó, ao tocar com a lâmina de seu facão o rosto de José Antonio Muniz Lopes, então Diretor da ELETRONORTE, expressava o sentimento de uma nação inteira, já naquela época, a respeito do projeto antes chamado KARARAÔ,  que hoje chama-se BELO MONTE. A célebre foto de Tuíra ganhou fama mundial, chamou a atenção do mundo para os crimes cometidos em todo aquela região, incluindo assassinatos como o de CHICO MENDES,  ocorrido apenas 2 meses antes deste encontro.

De CHICO MENDES a NÍSIO GOMES, quase 25 anos depois, os assassinatos continuam. O mundo inteiro toma conhecimento, muitos se dizem indignados, mas ninguém impede, assim como ninguém remove a CHEVRON das águas brasileiras, nem da amazônia equatorenha. O que será necessário para que haja uma intervenção? Se somos exterminados mesmo lutando e denunciando, o mundo torna-se cúmplice e conivente com os crimes.

Chevron no Equador

Nem mesmo assim nossa gente é levada a sério. Uma mulher guerreira é vista como aborígene. Uma atitude corajosa é vista com ar de deboche e ridicularizada, por aqueles que executam as ordens dos criminosos e julgam-se acima da verdade, da justiça, e até mesmo do bom senso. Alguém poderia rir diante de um ato desesperado como o de Tuíra Kaiapó? Ocorre que a bossalidade é um traço comum da personalidade de quem não tem princípios, não tem consciência, não é dono de si mesmo, nem tem identidade. Esses não tem pelo que lutar, apenas fazem tudo para agradar aos donos de suas almas e de seus pensamentos, os que dizem a eles o que devem sentir e dizer, em troca de um salário miserável, ou das sobras de seus coronéis. Estes são pior do que os próprios coronéis, porque não são nada! Nem são os VERDADEIROS RICOS,  donos das riquezas que os ladrões querem roubar, nem são donos do produto de seu roubo.

LibertyKaiapó

Vendem-se por algumas migalhas, e ( digam-me o motivo), olham com desprezo para os verdadeiros donos das riquezas cobiçadas, saqueadas, usurpadas, isso desde que os espanhóis e portugueses invadiram nossas terras para entregar nosso patrimônio aos seus credores, os ingleses. Quase 25 anos depois, a mesma Tuira Kaiapó continua enfrentando seus inimigos, ainda sentados atrás de uma mesa, mas agora representados por outras pessoas. Eles mudam de cara, mas não Tuira.

Não é por falta de atitude, nem por falta de medidas legais ou intervenção do Ministério Público em favor dos direitos desses povos que estamos assistindo HÁ QUASE 1/4 DE SÉCULO essa devastação desmedida. As lideranças dos povos indígenas da amazônia são muito bem organizadas e atuantes diante das autoridades nacionais e internacionais. Se assim não fosse a devastação já teria sido muito maior. A questão não é apenas ecológica. Estamos falando de genocídio, extermínio humano, destruição de culturas e conhecimento, causando a extinção definitiva de espécies de seres vivos de todos os reinos: vegetais, animais e humano. A VIDA está sendo extinta para que alguns poucos sirvam-se dela. É crime hediondo, é chacina e genocídio em massa.

Quantos ribeirinhos ao longo dos cursos dos rios Xingu, Amazonas, Araguaia e Tocantins tem sido vítimas das mesmas histórias trágicas. Não são apenas os descendentes dos nativos brasileiros que são assolados. As populações ribeirinhas, os pescadores, pequenos extrativistas e agricultores tem sido perseguidos, enganados com falsas promessas de indenizações para que saiam de suas terras, e quando não aceitam, são simplesmente executados! O crime é contra a SOCIEDADE CIVIL.  Nós temos sido desrespeitados, enganados, manipulados por mídias corporativas que trabalham para defender os interesses dos mesmos mandatários, e estes não são políticos. Os políticos apenas entram no jogo para tentar conduzir a Sociedade Civil e evitar que ela se levante contra seus opressores. Eles trabalham para conduzir a opinião pública a ser favorável e consentir nestes descalabros, na ilusão de que irão ter também algum benefício com isso. Não terão. O arroxo é cada vez maior e a escassez acaba chegando até as classes mais abastadas. A faixa de exclusão social é cada vez maior e as periferias convertem-se em comunidades cada vez mais populosas.

Este artigo é para falar do encontro que haverá em Altamira/PA, do dia 13 ao dia 17 de JUNHO próximo, que será comemorativo aos 23 anos do  Iº ENCONTRO DOS POVOS INDÍGENAS DO XINGU, e será PARALELO AO RIO+20, um protesto contra ele. Escolhi a imagens de Antonia, entre todo o material de divulgação do XINGU+23, porque ela é como a índia Tuira, representante da Sociedade Civil como um todo, tentando acordar o nosso povo sobre a realidade do que se passa em solo brasileiro. Em Altamira, estes trabalhadores, que não tem acesso fácil à internet ou à mídia corporativa, estão organizados, unidos, atuantes, conscientes, e tem alguma coisa pelo que lutar. Estão integrados à realidade em que vivem e extremamente bem informados. E você?

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